domingo, 1 de dezembro de 2013

sobre as não-vias-de-fato

eu quis exorcizar seus fantasmas tantas vezes que acabei por me confundir com um deles os meus. acabei por me tornar fantasma. outras mãos me abraçavam e eu sem sentir abraçava de volta porque deveria. beijava de volta porque deveria. tirava as roupas da alma porque precisava. porque não encontrava outra forma de ser mais vulnerável do que nu. porque ser vulnerável muitas vezes é mais prático. o sangue sai mais facilmente da pele que da roupa.

desci pra jogar no lixo o vinho barato que você deixou aqui, as flores que se secaram e as roupas que eu vestia a última vez que te encontrei. na volta deixei minhas tripas na escada.

quando eu não mais quiser exorcizar seus fantasmas deixarei de ser um.

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