quinta-feira, 8 de agosto de 2013

gente indie / indie gente / indie, gente

Era um sonho de beira de calçada. Calçada de garoa. Era um sonho barulhento, cheio de motor e fumaça de escapamento. Nessa época se confundia qualquer batidinha de pés com um convite pra dançar. "Moça, acho que você deixou cair isso.." e ele, um cachorro sarnento falante, entrega para a criatura cujo nariz quase tocava os céus, um pedaço de papel ou plástico que já estava amassado. Que lixo de sonho. Que lixo! Jogaram lixo no meu sonho. Ela respondeu com seus olhos de vidro fumê silenciosos e aumentou o compasso dos pés. Ele completava 210 anos e ainda tinha ingenuidade de 35. Aos 49 anos lhe deram ingressos da primeira fila, todos os dias ele tinha de estar lá. O espetáculo começava na hora santa e terminava antes do sino da matriz. Uma ópera. Mas os roncos do seu estômago adormecido incomodavam a platéia de fora e a que morava na sua cartola. Se você perguntar em libras a alguém se poderá lhe fazer uma visita mais tarde, ela dirá que sim * fecha-se a mão e dobra o punho para cima e para baixo em sinal afirmativo * depois ela fará o sinal de "vivo" e depois de "casa".

Quem vive pela rua e morre pela rua.

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