segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Não tirei a etiqueta da mala pra sempre achar que ela está nova. Sempre deixo algo dentro dela também, pra dar aquela falsa impressão que acabei de chegar, olha só, ainda nem desfiz totalmente as malas. 
É assustadora a forma como as palavras, ou expressões, tem domínio sobre nós. Eu vigiava o leite quando, pela primeira vez, me veio à mente um "na casa dos meus pais". Larguei o leite sem ferver, vasculhei as fotos e chorei cheirando uma roupa de cama que ainda não tinha usado e cheirava como se minha mãe tivesse acabado de me entregar. "Casa dos meus pais". Então agora vai ser assim? A casa é dos meus pais e tudo o que eu tenho é esse pedaço de apartamento alugado em qualquer lugar? Mas a coisa fica realmente feia quando eu pensava que nada no mundo era mais meu do que uma passagem de avião. Ninguém pode estar ali a não ser eu. Esse purgatório de não estar na terra e não ser completamente do seu é todo meu. Ao menos por uma hora e dezessete minutos. Esse ciclo só se fecha quando eu me lembro de mim, que eu sou minha casa, que eu sou uma alma e tenho um corpo todo meu, pra usar da forma que quero, ornamentá-lo como preferir

até virar pó que se mistura a poeira do chão e ir morar em Deus.

2 comentários:

  1. Déh,
    gosto muito de te ler,
    aliás, gosto de ler palavras que de certa forma me confrontam e identificam !
    Sempre.

    Jhosy

    http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Nossa casa sempre estará dentro de nós. Beijos

    ResponderExcluir

Deixe seu blah blah blah aqui: