segunda-feira, 26 de novembro de 2012

isso não é uma festa


Eram 6h40 da manhã e eu ainda estava no local da festa. Alguns bêbados dormindo e muito lixo no chão. Ele tinha um cabelo-ninho-de-mafagafos e um Q de John Lennon, juro. Sentou do meu lado e começou com um "me desculpa, mas eu acho que peguei sua bebida no meio da festa.", "sim, não tem que se desculpar, foi um favor, detesto vodka..." e ele retruca rápido demais pra quem passou a noite bebendo: "me faz você um favor então, me diz sua opinião sobre o amor", fiquei olhando meus pés por alguns minutos enquanto ele me fitava e soltei um "que pergunta mais capciosa...", mostrei o relógio pra ele, "não se faz esse tipo de pergunta a essa hora..", enquanto isso eu pensava que amor pra mim é acordar cedo pra fazer vitamina de banana, mas estava desconcertada demais com ele me olhando e falei de sopetão a frase mais ridícula que devia ter morado sem pagar aluguel por três anos no dark side do meu subconsciente: "quer me foder, me beija", ele me beijou e foi dançar a última música que tocaria por ali naquele dia. E eu só pensava em encontrar um café aberto. Na cafeteria um velho olhava pras minhas pernas enquanto comentava com seu amigo, ainda mais velho, que as pessoas sempre pedem seu café como gostam dos romances. Eu pedi o meu forte e amargo e sorria pensando que isso era a maior babaquice que eu ouvira na vida - meu coração não era tão quente.

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