sábado, 30 de junho de 2012

uma carta de quem não pode usar o telefone

bom, eu sei que você ainda vem aqui, pelo menos nos seus piores dias, que é quando eu penso que deve se lembrar de mim. não sei justificar isso. então aqui está. roubaram meu celular. essa semana sonhei duas vezes com você e acordei achando que era pós-carnaval. pensei em ligar e falar num sotaque que não é meu. sonhei com rato. com cães escuros bravos. e com escadas. sonhei três vezes com escadas, numa delas o corrimão era de arame farpado. eu sempre tô descendo. queria contar alguma história de como eu sou agora, pedir desesperadamente que me encontre. as vezes parece que ninguém aqui me conhece, essa eu, aqui de dentro sabe?, aquela dos surtos-caixa-de-marimbondo que sai cuspindo tudo quando explode pra pedir desculpas depois. eu queria explodir, mas se eu fizer isso aqui e agora não vai ter ninguém que me conheça a ponto de poder juntar meus caquinhos depois. e, Deus, não deixe nenhuma peça de mim ficar perdida.

-eu quero que alguém faça minhas malas pra mim.

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