domingo, 13 de maio de 2012



Nós. Seres humanos. Fazendo uns aos outros de brinquedos, usando as pessoas enquanto elas tem algo que queremos no momento - ah, a instabilidade. Alguém pra conversar, beijar, desabafar, ensinar uma matéria em que se está com dificuldade, alguém que sabe algo de enfermagem, que tenha carro, que tenha um amigo interessante, que tenha, que seja, que esteja, que saiba, que possa. O problema é que esses brinquedos apresentam defeitos de fábrica, e é chato lidar com isso, não? Então a encaixotamos e jogamos em cima do guardarroupa ou no sótão (onde ficar mais longe dos nossos olhos, mas perto de nosso alcance na agenda do celular ou nos contatos do facebook caso seja preciso), e daí escolhemos um outro que supra nossa então necessidade, mas que esteja nas estantes baixas, onde não temos que nos esforçar pra tê-la, ou procuramos em alguma vitrine mais distante e preferimos idealizar a tratar com as que estão perto. É chato querer beijar alguém e ela querer ficar contando dos problemas dela e de como não conseguiu dormir a noite. Mais chato ainda quando nos pedem pra perdermos nossa noite de sexta explicando uma matéria que estamos cansados de saber pra alguém que ficou de exame. Insuportável ter que passar a noite em claro com alguém que está passando mal porque comeu comida estragada. Inútil alguém que não tenha gasolina pro carro e o que dirá de não ter carro. Tem gente mais interessante por aí, que tenha, que seja, que esteja, que saiba, que possa. Não deveria ser assim, mas é. Somos meninos buscando coisas de meninos até entendermos que não fomos feitos para ser brinquedos ou ferramentas uns dos outros, cada um ao seu bel-prazer, e agirmos como um adulto - mas mantendo a simplicidade infantil, e amarmos a comunhão .

2 comentários:

  1. Adorei seu blog... vc é perfita... me segue de volta???

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  2. Que lindo e que triste, porque realmente é assim que fazem com a gente e principalmente é assim que fazemos com os outros :x

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