segunda-feira, 12 de março de 2012

sobre batons e aerossóis

     Nasci em uma rua onde havia meninos. Meu universo era jogar video-game, fazer chinelo de luva pra jogar bola (eu era goleira), bolinha de gude, figurinhas e tazzo. Minha bicicleta não era rosa e nem tinha cestinha e eu sempre queria os presentes da vó iguais os dos meus primos, ou seja, carrinhos de flexão. Quando formei o colegial estudei um ano e meio em uma universidade de exatas, onde, talvez uns 80%, fossem garotos. Meus melhores amigos eram meninos.. e ainda são. E mesmo com tudo isso eu não deixei de ser feminina, sempre usei vestidos, salto alto e maquiagem.
     Saí de Minas Gerais e vim fazer faculdade no Rio Grande do sul.. e são muitas coisas pra se preocupar, a independencia, grana, lugar pra morar, matérias pra estudar, além de ser outra cultura a se adaptar. Ouvi muitas pessoas dizendo que eu não devia ir morar tão longe, afinal sou apenas um ser do sexo feminino e que só quem faz (ou deveria ter alvará pra fazer) isso são os garotos.
     Aqui estamos arrumando uma república mista. Claro que cada um é cada um, e cada qual o seu lugar, mas minha cabeça, e as estatísticas, teimam em considerar mais fácil lidar com garotos. A maioria são mais diretos, "ou vai ou racha", não tem muita frescura, não se importam se sua roupa e sapatos são da última estação e ainda matam baratas e dão um jeito nos sapos.
     As vezes tudo isso me parece um paradoxo. Querem que sejamos delicadas, frágeis e carentes de alguém que nos protejam das torres altas e dragões ferozes e tenhamos sempre cheiro de quem acabou de tomar banho, mas em contra partida a sociedade exige uma pessoa decidida, que vá, faça e aconteça, caminhe pelas próprias pernas e seja independente e saiba trocar seu próprio chuveiro.
     Tenho um amigo que dizia que o teste dele pra saber se uma garota era legal ou não a reação dela diante uma barata. Se ela corresse e fizesse muito drama não era legal, o mesmo caso ela fosse muito "macho" e desse uma pisada na barata e ainda achasse graça do barulhinho "crocante". Tinha que ser meio termo. Talvez precisemos é de um meio termo. Talvez ele quisesse que as mulheres carregassem na bolsa um aerossol contra baratas (se bem que seria estranho).
     Mas o que eu tenho certeza é que não é bom que vivamos só. Não só no sentido romântico da coisa.. mas no geral de relacionamentos e convívios. Cada um tem uma característica que falta no outro e que nos ajuda a aperfeiçoarmos. Tanto homens para com as mulheres e vice versa como também nas relações de amizades entre homens e entre mulheres.
     Mulheres, aprendam a se virar sozinhas, mas dentro das suas limitações. Não precisa se meter a trocar cano de pia, mas não fique sentada lixando as unhas e esperando que um cara faça tudo por você. Que ele se sempre se lembre do dia que tem que pagar as contas e impostos ou te ligue pra chamar pra sair. E homens, sejam homens. Não espere que façamos tudo e que lideremos as tropas (não que mulheres não sejam aptas a isso) mas certas coisas são papel somente do homem. Como nos levar pra casa em segurança na volta do cinema.

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