quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

respire


Com tanta gente no mundo, e tanta gente que já passou por aqui e respirou esse ar que eu penso que nunca conseguirei dizer algo inédito. Mas, embora já tivessem usado minhas palavras eu sei que só eu senti elas de tal forma, só eu as disse em tal velocidade, sotaque, volume de voz, tom, intensidade e temperatura. Só eu. As vezes me sinto egoísta com tudo o que escrevo e  não gosto de ler algo meu em voz alta. Me enfado, te enfado. Quando leio em silêncio, ou outros leêm, penso sempre que é novidade. Isso quando eu não mudo as virgulas de lugar, uma palavra ou outra a cada releitura. Mas dizer tudo em voz audível me enjoa em demasia. É como respirar o mesmo ar. Claro, o ar vai ser sempre o mesmo, mas outras pessoas, animais e plantas o respiram, ventos jogam ele de lá pra cá, ele visita lugares diferentes antes de se devolver a mim. A mim que as vezes pareço estar sempre no mesmo lugar

-mesmo que tão distante do ponto de referencia.

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