quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sede


Não sabia o que significava dizer que alguém tinha muita água, mas isso fazia todo o sentido quando o assunto era ela.
E afinal, nada mais justo para alguém que tenha muita água possuir uma boca de canoa. Era o que todos diziam - ela tem sorriso de canoa, igual ao avô - que nunca conhecera.

Ela tinha um rio inteiro, era adaptável, mas não era fácil mantê-la do jeito que se deseja, muito menos dominar os seus sons.
Ela evapora, chove, congela. As vezes tudo ao mesmo tempo. E se a canoinha der uma brexa ela deságua toda uma  enxurrada.

- até que ele veio e fechou nela uma represa, mostrando pra ela tudo que ela estava disperdiçando. Mas ela o puxou para si. Ele que dizia ser bom nadador. E depois, como nesses contos de sereias, ele nadou nela e disse que não queria mais voltar.

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