sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Resposta à Previsão do tempo

    
     Sempre pensei assim, foi pensando assim que recusei uma carona pra casa e no caminho tomei banho de chuva de pedra, e posso dizer que dói. Minha pele contava isso claramente depois de chegar em casa e poder contar as marcas vermelhas sobre minha pele branca de neve. Mas e quando você tá indo pra algum lugar e não voltando de algum lugar?

     Tampei os olhos com o braço e corri, exitei ao ver um carro parar em baixo das paineiras podres da beira do rio, eu sabia que os galhos iriam cair nele, mas não havia mimica que o fizesse entender. Corri às cegas. E a unica porta que me convidava, e que meus olhos enxergavam era de uma construção, entrei e o teto de isopor derrubava uma chuva de "neve" em mim, até que o pedreiro assustado me viu e me chamou pra baixo de um teto de verdade que no afobamento eu nem tinha visto. Eu o conhecia de uma igrejinha assembléia de Deus pequena que as vezes frequento. Meus joelhos tremiam de frio, mas minha pele ardia quente de dor, a descarga de adrenalina que me fez correr toda a avenida ainda acelerava meu coração e o gelo, por mais estranho que isso soe, parecia queimar. Eu batia a perna como quem marca o ritmo de uma música ou se demonstra impaciente para que cessassem as perguntas de "você não se machucou mesmo, menina?". Logo ao parar de cair as pedras, agradeci, e saí.

      Por passos lentos, deixando os céus afagarem o que ele mesmo machucou, deixando as gotas passarem por dentro de minha roupa e remolhar tudo. Soltar os cabelos e deixa-los assumir aquele penteado despretencioso e desobrigado, eu não iria pra mais nenhum lugar aquele dia. Deixa a maquiagem borrar, deixa o mundo saber que você passou rímel. Ressonhar os planos para o dia, para mês, ano e vida. É engraçado como que molhado a gente pensa diferente.

     Antes de me abrigar ainda ouvi do vizinho: "que cara de derrotada é essa? lutou com a chuva e perdeu?". Só depois disso, entrar em casa, tomar um banho frio devido ao corte de energia, enrolar num edredon e segurar com as duas mãos uma xícara quente de chá, olhar a chuva que bate na janela, e pensar nas outras pessoas que assim como eu pudessem estar correndo lá. Ou andando despreocupadamente sob as gotas tranquilas.

2 comentários:

  1. vai fazer sol, mas pode chover.
    vai ficar frio, mas pode haver mormaço.

    eu nunca entendi previsões do tempo.

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  2. adoro tudo o que você escreve,comecei a visitar o seu blog depois que uma amiga me passou.
    Por ter gostado tanto,eu gostaria de pedir a sua permissão de estar postando texto seus em um blog que o grupo da minha faculdade esta fazendo,é pra um trabalho e gostei de alguns textos seus para eu poder estar postando.Irei respeitar qual for sua respota.Vou deixar o link do meu orkut e o endereço do meu e-mail,que se possivel me responda.

    http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=17320753389990759668&rl=t

    szpaah@hotmail.com

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