sexta-feira, 29 de outubro de 2010

previsão do tempo

    
     Tempo nublado, pancadas de chuva, raios e muita variação de nuvens. Vi assim da janela. Debrucei no parapeito pra tentar ver sobre os prédios, mas nem de longe havia trégua. Céu fechado. Trovejava tanto que parecia que Deus estava de mudança. Pra dias assim nada melhor que esquentar a cama. Sentar na poltrona com as pernas recolhidas, segurar a xícara de chá quente com as duas mãos e ver a chuva bater na janela.

     Guarda-chuva voando, bolsas na cabeça. Corre corre pela rua de um lado pro outro. Tão desbaratadas que nem sabem onde se esconder. Esqueceram-se que chuva não arranca a pele. Nem é nada torrencial. Estão com os pensamentos tão dissolvidos que não sabem mais aproveitar o tempo. O sol não saiu de trás das nuvens. O tempo fecha e parece que o vento leva a memória das pessoas.

     Minhas melhores lembranças vêm em dias de chuva. No dia a dia corro tanto que respirar vira um detalhe. Energia gasta em cumprir obrigações que nem são minhas. Diferente dos que correm, quando chove prefiro desacelerar. Nem adianta, vai molhar mesmo. Largo documentos pra trás. As mãos ficam livres. Melhor se estiver longe de casa. Dá pra ir caminhando e conversando consigo mesmo. Tiro a camisa pra não ficar grudando no peito e nos ombros. Nada nas costas. Colocar em pauta planos que por algum motivo foram deixados de lado. O cabelo molhado ganha um penteado novo, despretensioso, desobrigado. A chuva tem propriedade consoladora. Dá pra chorar que dificilmente alguém perceberia. Ela se derrama sobre você pra suas gotas descerem pelo rosto escondendo as lágrimas. É como se o céu fizesse cafuné.

     Molhado, perco a preocupação de ser ou estar rigorosamente apresentável. Melhor que nem tudo seja impecável. Sonhos não são impecáveis. São balbuciados, escritos, rabiscados e amassados. Por fim acabam sempre mudando. ´´Ressonhamos´´ cada batida do coração. ´´Expectando´´ acontecerem. Virarem realidade. Sinestésicos vão ganhando gosto. Cheiram a bolo quente, recém saído do forno.

      Sem receio, na chuva dá pra sorrir sozinho. Livre, dá pra começar algo novo. Tempo aberto, brisa suave, poucas nuvens e expectativas novas.

{ escrito por Leandro Braccini, grata ao autor, e me perdoe por trocar "chocolate quente" por chá.. mas é que o segundo me agrada mais. }

2 comentários:

  1. perfeito, me identifiquei mt, vce sabe ne que eu sou fã do seu blog que fica cada vez mais lindo . Parabeéns s2

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