domingo, 3 de outubro de 2010

november rain I

  
      Era uma quinta feira de novembro. a noite era bem quente, dessas que te convida a passear.
     As horas? Por volta das dez. E no outro dia cedo mais um exame a ser feito.
     A menina estava engulfinhada num edredom azul pesado demais para ela, o corpo todo tremia, os pés pareciam de gelo e as mãos como se estivessem sem vida. Havia semanas em que a hora de comer era de terror, só o fazia por obrigação, e mesmo assim comendo pouco. Também temia a noite. No escuro não ficava. Não atendia ninguém. E se dormisse, aos gritos acordava.
     E então, como que numa rotina, o choro veio... sem de onde ter vindo, sem por quê ou por quem, sem lugar para chegar. Era um pedido de socorro, socorro sabe se lá de quê.
     A mãe circulava de um lado a outro sem saber o que fazer. Telefonou pra um pastor que disse que oraria depois. Telefonou, então, pra um amigo da menina moribunda sem cor.
     Passou o telefone para as maos que se esforçaram, como se o telefone pesasse kilos.

#o que acontece, mulher?
-eu não sei...
#então porque tá assim?
-eu também não sei...
#então promete que vai parar de chorar...
-não posso...

     Nesta hora ele chama sua mãe e pede pra que ela fique ao lado dele.

#posso orar?
-pode.

     Ela pede pra ficar sozinha e pra que a porta fosse fechada.
     Fechou bem os olhos como se isso fizesse aumentar o volume da voz da mãe do garoto no outro lado da linha.
     Até que elas chegaram límpidas em seu ouvido, doces mais que o mel ao paladar.
     Enquanto orava, ela sentia  mãos quentes segurando os seus pés para que aquecessem, sentia na garganta um líquido que descia, com gosto de sal de fruta. Nisso o enjôo passava e o frio cessava.

#amém!
-amém.
#agora promete que vai parar de chorar?
-vou tentar..
#amanhã eu te vejo!
-me liga...
#tá bom..
-obrigada.
#não foi nada, beijo.
-outro.

Ela abriu os olhos, desligou o telefone, e no quarto só estava ela e Deus.



Todos os dias ele ligava, o riso voltou aos poucos, mas esse foi só o começo da cura.

só o começo.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
November, Thursday. The night was very hot, those nights that invite you to take a walk.
What time? Around tem o’clock. And the other day was with an exam to get done.
The girl was hidden underneath the blue heavy quilt, heavier than she could take, she was shivering, her feet was like ice and her hands as they were lifeless. Weeks with all the meals like terror, just for obligation, even thou just a little of food.
Shivering also at night. Unkept in the dark. Did not answer any one. If she fell asleep, woke up beneath screams.
And then, just like in a routine, the tears came. Without knowing where it was coming from, for what reason, or even why. Without place to get to. It was a help request, help for the unknown.
The mother walks around powerless. Called a pastor who said he would pray latter about that. Called a friend of that moribund colorless girl.
Passed out the phone to the hand that took it struggling, like it weighted so many pounds.
# what is happening?
-I don’t know …
# Then why are you like this?
I don’t know either
# So promise me you will stop crying…
- I cant …
At that moment he called his mother and asks her to be next to him.
# Can I pray?
- yes.

She asks to be alone, with the doors closed.
she closed her eyes really tight like she was listening better the boys mother on the other side of the phone.
The sound came clear to her ears, sweeter then honey.
while she was praying, she felt warm hands holding her feet to warm them, felt on her throat a liquid tasting like Tums. This way the sickness was leaving her, and the coldness ceased.

 #Amen!
- Amen.
# Now, promise me you will stop crying?
- I will try..
# I will see you tomorrow!
- Call me...
# Ok …
- Thank you.
# No problem. Bye, bye.
- bye.
She opened the eyes, hand up the phone, and in the room, she was alone with God.
He called her everyday, the laugh was coming back to her libs, but this was just the beginning of the healing.

It was just the beginning.

8 comentários:

  1. Glória a Deus!!! :D
    "Todos os dias ele ligava, o riso voltou aos poucos, mas esse foi só o começo da cura.

    só o começo."

    :D

    :*

    Até daqui umas semanas minha IRMÃ
    Deus esteja conosco, :*

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  2. que lindo dé. Realmente, só ele é quem tem o poder de nos fazer acreditar que tudo existe.

    Boa semana, beijos :)

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  3. Hain, que post liindo *-*

    "Ela abriu os olhos, desligou o telefone, e no quarto só estava ela e Deus.



    Todos os dias ele ligava, o riso voltou aos poucos, mas esse foi só o começo da cura.

    só o começo. "

    *-*

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  4. Parabéns que texto bom de ler! Aqueles que revigoram a cada linha! ... Estou curiosa, teremos mais post's destinados a essa amizade tão bonita que revela Deus?! beijo!

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  5. Que coisa linda Déborah..muito bom ler estas linhas!!

    Ah,eu ia voltar pra Itajuba sim..mas os planos mudaram..Acho que em janeiro chego ai..Vc deixa eu te fotografar?

    Beijoo

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