sexta-feira, 7 de maio de 2010

de mi menor à ré maior II


Minha caixinha de música
ouço sua canção
da bailarina que ali dança
hoje vejo um coração.

Quanto tempo?
Quanto tempo minha pequena?
Tens esfolado os joelhos...
Tem caído dando tanto pena?

Pois eu sei que te disseram
o que hoje ainda dizem:
"pobrezinha bailarina
seus passos se contradizem".

Eu vejo agora
mãos de talco tão branquinhas,
tentando esconder
lágrimas salgadas, tão fraquinhas.

Minha bailarina,
eu sei o que espera a sua dor.
Os espectadores saem um a um
e você guarda da vergonha o calor.

O que é isto?
No canto do espelho quebrado
a imagem penível
de um rosto pequeno e magoado.

Minha bailarina,
eu sei o que espera a sua dor.
Pelo teu olhar borrado,
é desenhável o seu clamor.

Minha bailarina,
ouves você também?
as palavras na plateia
que vem de um outro Alguém?

Minha bailarina,
as luzes acesas estão,
novo perfume no ar,
Alguém clama uma repetição.

Minha bailarina!
Eu sei o que imagina,
mesmo eu posso ouvir:
"comece de novo minha menina"

Minha caixinha de música,
uma bailarina e um Senhor,
um nova canção,
um amor avassalador.

Minha caixinha de musica ,
gesto por gesto e passo por passo,
risco por risco,
bailarina e Senhor em um só abraço.

{poesia e imagem de Alessandra Pio}

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