quarta-feira, 14 de abril de 2010

amanheci.


Sem planos, sem listas, sem regras, com riscos.
Amanheci querendo não sei o quê, querendo conhecer o que ainda não conheci, querendo falar aquilo que ainda não falei e que ainda não sei como falar.
Amanheci querendo o novo dia que ainda não surgiu, querendo ver as pessoas que ainda não vi, querendo fazer o que ainda não fiz, querendo aprender o que ainda não tive coragem e paciência de aprender.
Amanheci querendo ter vontades, querendo fazer planos e sonhar com aquilo que nunca coube na minha mente.
Amanheci querendo escrever coisas, querendo amar quem ainda não amei, querendo ensinar o que deveria ensinar, e valorizar o que não ta sendo valorizado.
Amanheci querendo não sei o que, querendo ver as pessoas que estão longe, querendo ter novas culturas e costumes, querendo usar as cores de uma outra nação, querendo plantar flores longe daqui.
Amanheci querendo entender quem não me entende, querendo falar o que se deve ser ouvido, querendo gritar coisas que possam voar além desse oceano, querendo ver a dor que ainda não tive.
Amanheci querendo chorar por quem chora, querendo dar motivos e razões, querendo dar o que comer.
Amanheci querendo me cansar do injusto, querendo lutar pelo o que realmente importa, querendo construir o que não se vê, mas que nunca se passa.
Amanheci querendo viver, querendo fazer viver, querendo ver a vida que devo cuidar.
Amanheci querendo sentir as dores certas, querendo me importar justamente, querendo ter o que dizer...
Amanheci querendo correr o risco e pagar o preço, querendo me machucar os olhos vendo o que ainda não vi.
Amanheci querendo rir sinceramente, querendo ser contagiada por um olhar estrangeiro, querendo sentir saudades...
Amanheci querendo partir daqui e estar ai ou ali, querendo estar onde devo realmente estar.
Amanheci querendo me apaixonar por cores diferentes e por sabores desconhecidos.
Amanheci querendo conhecer o sabor da lágrima do sertão, querendo andar descalça e aprender na varanda ao lado de velhos sábios.
Amanheci querendo queimar minha pele, querendo fazer sorrir o rostinho marcado pela dor.

-hoje, amanheci vivendo.

{por Alessandra Pio }

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