terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

aguaceiro

Definitivamente, não estava chovendo e nem iria chover.
O céu estava limpo e estrelado a noite.
De dia tão limpo quanto, nenhum risco esbranquiçado de algodão.
Ela olhara com afinco para uma previsão metereológica que afirmava que não choveria.
Por que então todo esse cheiro de chuva?
Esse cheiro que ela dizia não sair de suas narinas?

-talvez não precisasse de chuva lá fora.

chovia por dentro.
uma enxurrada por dentro dela.
que as vezes embaçava a vista do caminho que tinha que seguir.
que as vezes inundava tudo, quase fazendo ela se afogar.
que as vezes deixava suas roupas encharcadas e pesadas, a fazendo cair.

-talvez as previsões não fossem lá muito confiáveis também, não é?

uma semente não brota sem água, é, realmente, aquele solo já estava pronto.

2 comentários:

  1. Olá, Deb.

    Acredite ou não, quando comecei a ler esse texto, já imaginava essa sua linha de raciocínio...

    Bom, de qualquer forma, adorei! Todo esse aspecto simbólico e metafórico...

    às vezes chove aqui tb.

    Quando estiver muito forte, me chame! Talvez eu tenha um guarda-chuva...

    Abraço.

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