sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

sem paraquedas


     Diversas vezes ela se via à beira de um penhasco, prestes a pular mas sem saber qual pé usar pra dar tal passo.

     Mas enfim ela se joga, e mal sabe qual pé usou. Impulsionou o corpo pra frente o máximo que pode, para não bater nas rochas.

    O dia era nublado e a hora era por volta das 18. O vento era frio e lhe cortava as maçãs do rosto sutilmente as corando. Chegava a ser agradável. O tapa que sentiu quando bateu na água é que não foi. Era como se seus ossos tivessem sido fragmentados. E depois, já envolvida pela água, era como se sua pele fosse mármore e seu sangue tivesse cansado de correr e parado nas veias. Os olhos olhos se fecham e o pesar que se sente é de que todo o cansaço de uma vida está todo em você naquele instante.

     Um grito ecoa em sua alma.
     "Respire!"
     Mas o pulmão só encontra água. Um segundo na superfície. A adrenalina dispara seu coração, mas a caimbra encontra suas pernas,os braços doem, e a gravidade fica mais pesada ali e a puxa para baixo quase que pelos cabelos.
     Então escuta outro corpo que se atira nas águas geladas e escuras. O mar tem medo desse outro corpo.
Ele não é fraco como o dela.
     Não pense nisso como suicídio, ela sabia que alguém a iria salvar de si mesma.
     Ele a leva em seus braços para fora das águas turvas, manda o vento parar e apenas com um toque lhe une os ossos, tirou a sua frieza de mármore, dá cor e vida aos seus lábios pálidos e sopra fôlego de vida novo em suas narinas.
     E enquanto ela ainda tinha os olhos fechados Ele a abraça encostando seu ouvido no coração dEle, e canta sussurrante incansáveis vezes:
     "Ah, meu pássaro falante... apesar de suas penas serem esfarrapadas e enroladas eu amarei você por todos os seus dias até que seu fôlego deixe sua delicada moldura."

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